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sábado, 2 de junho de 2012

Sobre fios brancos...

"Ela parece uma árvore frutífera - uma cerejeira em flor", disse ele, olhando para uma mulher ainda moça com um belo cabelo branco. Era uma imagem de tipo primoroso, pensou Ruth Anning - sim, um primor porém ela não tinha certeza de estar gostando desse homem distinto, melancólico, com seus gestos; e é curioso, pensou ela, como os nossos sentimentos são influenciados. Não gostava dele, mas reconhecia ter gostado da comparação da mulher com a cerejeira que foi feita por ele. Fibras dela, sem rumo fixo, em flutuação caprichosa, como tentáculos de uma anêmona-do-mar, ora vibravam, ora de repuxavam, e o seu cérebro, a quilômetros dali, frio e distante, suspenso no ar, recebia mensagens que processaria a tempo de, quando as pessoas pessoas falassem de Roderick Serle (e ele era uma figura e tanto), ela poder dizer sem hesitar: "Gosto dele", ou "Não gosto dele", e assim ter definida sua opinião para sempre. Uma idéia estranha; lançando uma luz insólita sobre a composição da sociabilidade humana."

WOOLF, Virginia. Juntos e à parte.

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“Via-se perfeitamente que estava viva pelo piscar constante dos olhos grandes, pelo peito magro que se levantava e abaixava em respiração talvez difícil. Mas quem sabe se ela não estaria precisando de morrer? Pois há momentos em que a pessoa está precisando de uma pequena mortezinha e sem nem ao menos saber. Quanto a mim,substituo o ato da morte por um seu símbolo. Símbolo este que pode se resumir num profundo beijo mas não na parede áspera e sim boca-a-boca na agonia do prazer que é a morte.”

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