Tento abrir meus olhos no relento da noite, na redoma da negritude que minha visão prospecta. Vem a Lua desmascarando com o seu brilho as estrelas, tomando para si o papel central do espetáculo noturno. Ouve-se um assovio de longe. Um pássaro chega, pousa sobre as bromélias e, depois, detém o descanso para interromper os passos nos lótus, das águas enrugadas de um rio sem leito.
Qual será o segredo da Lua? Branca, nua, que me faz aspirar o perfume da meia-noite. Perfume de terra molhada. Perfume também de acomodadas flores singelas, ao relento de uma noite oculta e sentinela do meu viver.
O mistério do anoitecer se faz do claro ao escuro. Cheiro do perfume da noite. Da noite em que deposito minhas longas asas nas pétalas daquela flor enraizada no líquido cristalino, que projeta a imagem do espetáculo soturno.
E quando a mais fina linha de luz solar faz a primeira costura no céu, eu adormeço. Quando percebo, linhas e mais linhas prendem os pedaços da manhã ao negro tecido noturno. Não sinto mais o natural cheiro da noite e perco a sensação de estar assistindo, mais uma vez, ao espetáculo da gigantesca esfera branca no céu. Tudo se modifica no final da noite e no início do dia. Fora o nascer de um amanhecer...fora o morrer do meu anoitecer.

Quero um texto sobre a chuva, por favor?
ResponderExcluirMas só quando estiveres com a inspiração à par do tema!